A Seleção Milico

Era uma vez um time de futebol. Um time dos bons, daqueles que se orgulha das calças que se veste. Que se toma uma camisa e a arremessa sob um varal e ele envergará. Que exala tradição. Que os adversários adentram a cancha com pouco mais de milímetros entre as pernas. Saca?

Esse time carregava deveras admiráveis estrelas em seu uniforme amarelo desbotado.  Ganhava na maioria das vezes, mas também perdia. Mas suas exibições valiam aos olhos. Um dia, as estrelas foram transformadas em condecorações. Pouco a pouco suas pinceladas em campo desapareciam. Ele se tornou maior de idade. Teve o cabelo raspado e foi ‘educado’. A cobra fumou esse time. E seu amarelo desbotado ganhou notáveis traços camuflados. O trocaram por um punhado de sal.

Tomaram conta dele. Seus dias de belas artes estão registrados e nem Deus tira. No entanto, do destino ninguém toma conta e o que se aprende, não é de hora para outra que se adormece. Seus novos jogadores, filhos da pátria, de sua filosofia, se dividiram. Porém, o talento não se esvaiu, mas sim se tornou rarefeito. No máximo. Chamam isso de modernização.

O seu novo dono, como um grande exemplar de milico-ancião, daqueles que se discorda e vai para a vala, apostou num soldado gaúcho de bigode para tomar as rédeas do time que virou seu. Queria se esconder. Soldado experiente, cascudo, eficaz. Ou não. Num mal dia, tal soldado errou. Errou feio. Tanto ele como seu fiel escudeiro foram fadados ao esquecimento. E eis que surge um novo soldado. Um novo sulista, cheio de comprometimento. Que traz tal time de volta para o futuro.

No meio tempo do erro do último soldado que comandava essa tropa, seus conselheiros clamaram e aguardaram pela mudança. Pelo novo. Quebraram a cara. Tais tempos em que a arte e o inesperado vinham antes da eficiência (?) engessada estão agora dentro desse ciclo de escudos e conservadorismo chulo.

O time perdeu a sua alma. Ela foi trocada por espelhos. E vemos um time doente. Suas iguarias agora são exportadas tão cedo que na maioria das vezes nem delas se tem notícia. Das lições e artilharia desse time tomam conta o ‘estrangeiro’. E eles tem se dado bem, chamam de coisa deles.

E do antigo pensamento se faz agora esse time. Do mesmo, do que já se tem notícia. Do velho, e ainda dizem que o passado é uma roupa que não serve mais. Ainda fosse, aquela camisa amarela desbotada ainda representaria o que já foi. Hoje, com mais-valia, lhe cantam seu hino fora do padrão. Do padrão do ‘estrangeiro’. Grande coisa.

Eles venceram. Resta agora que rezemos para que tudo isso seja apenas um pesadelo e que amanhã, na sala toda cheia de pompa esteja outro alguém. Se não, que aguardemos os músicos do Titanic e naufraguemos todos juntos de mãos dadas esperando que um dia, um bote chegue por nossas bandas e nos leve rumo ao nosso verdadeiro destino. Aquele belo, cheio de malícia e talento de saltar os olhos da cara. Que um dia possamos ver o nosso time outra vez.


AutorApostasFC apostasadmin
data21/07/2014


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